4 de novembro de 2010

Ficha Limpa vale para político que renunciou

Farpas entre ministros e mais uma votação empatada

Foram seis horas de julgamento e, aparentemente, vários litros de café. No mesmo dia em que Corinthians e Flamengo empatavam pela 32ª rodada do Brasileirão, ministros da maior corte do país dividiam se em dois times distintos. Como em um clássico futebolístico, a rivalidade ficava ali, escancarada. Ministra Carmem Lúcia bateu boca com o igualmente ministro Gilmar Mendes. Claro que, discussões entre ministros são mais educadas e menos acaloradas do que as de jogadores suados em uma partida de futebol.

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu sem decidir. Em mais um empate de votos iguais, deixaram o destino e o precedente jurídico de Jader Barbalho (PMDB) à cargo de outra corte, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Essa, hierarquicamente menor, já havia decidido contra o político e a favor da Ficha Limpa aplicada agora.

Jader se manterá inelegível. Em 2001, quando era senador, foi acusado de mentir ao Senado sobre o suposto envolvimento em desvios de verbas do Banco do Estado do Pará (Banpará). Naquela situação, fez a manobra permitida por lei da época mais manjada na política. Renunciou. E fez isso planejando voltar, como se nada tivesse acontecido. Talvez não contasse com mudanças drásticas. O TSE decidiu, o STF replicou e quem já tentou sair pela porta dos fundos e voltar pela da frente, foi pego de surpresa. A partir de agora, resta esperar que o destino se confirme a quem fez igual. Figuras como Paulo Maluf (PP) e Anthony Garotinho (PR) estão na mesma incerteza.

E o Pará, como fica? Talvez em um reboliço maior que no Círio de Nazaré, maior festa típica da região. O motivo é simples. 50% dos votos válidos para senador estão distribuídos em dois candidatos. Um é o protagonista da sessão plenária do STF de ontem, Jarder Barbalho. O outro é Paulo Rocha (PT), que está na mesma situação do anterior. Renunciou ao mandato no caso do mensalão e teve a candidatura negada pelo TSE. Provavelmente, se recorrer ao Supremo terá o mesmo destino do ex- futuro colega de Congresso Nacional. O futuro político do estado no Senado Federal segue como o Brasil, incerto.

As torcidas que acompanharam ontem o jogo de Flamengo e Corinthians, saíram com o sentimento típico de empate. Desanimo misturado com contentamento. Poderia ter sido melhor, como também poderia ter sido pior. No futebol não há voto de minerva ou decisões replicadas. A sessão plenária das quatro linhas é inadiável e as prorrogações mínimas. A torcida, quem sabe, não desejou ontem um tribunal que cancelasse o empate e desse a vitória para um lado ou outro.

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